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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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ESCOLISE IDIOPÁTICA DO ADOLESCENTE: BENEFÍCIOS DO EXERCÍCIO A LONGO PRAZO EM DOENTES ORTETIZADOS

Afonso Pegado (1), Rita Francisco (2)

1- Unidade Músculo-esquelética/Medicina Física e de Reabilitação, Hospital S. José, Centro Hospitalar Lisboa Central, EPE, Lisboa
2- AMCA/Medicina Física e de Reabilitação, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE

Sessão Clínica no S. de MFR do HDE; Dezembro 2016

Resumo:
A escoliose idiopática do adolescente (EIA) é definida como uma curvatura da coluna vertebral no plano coronal de pelo menos 10 graus, segundo o ângulo de Cobb, associado a rotação dos corpos vertebrais, de etiologia desconhecida, que surge entre 10 e os 18 anos de idade. Cerca de 10% destes doentes vão necessitar de tratamento. A ortetização e a fisioterapia são frequentemente realizadas com o objectivo de impedir a progressão da curva, não tendo esta última qualquer evidência na alteração da história natural da doença. A ortetização, apesar de estar associada a diminuição da progressão da curva, poderá apresentar efeitos secundários, como: a diminuição da actividade física pelo desconforto associado, ou a redução da densidade mineral óssea a nível vertebral (20-38%), o que aumenta o risco de desenvolver osteoporose e fracturas vertebrais anos mais tarde. Apesar disto, o impacto da ortetização na actividade física não tem sido bem descrita na literatura, pelo que permanece inconclusiva. Hoje em dia sabe-se que, na população em geral, o treino com cargas/impactos apresenta um maior benefício na densidade mineral do osso e sua estrutura durante os anos de crescimento. Contudo, este é frequentemente contraindicado pelo médico nos doentes com EIA. Provavelmente por receio de agravamento da curva ou mero empirismo. O que é facto é que não existem estudos que comprovem esse efeito prejudicial. Após uma revisão da literatura, concluimos que jovens com EIA sob tratamento com ortótese devem ser encorajados a fazer actividade física, por todos os benefícios inerentes à mesma. Contudo não existem ensaios controlados que mostrem o impacto do exercício, especialmente o treino com cargas/impactos, nesta população. Acreditamos que este tipo de exercício poderá ser benéfico no desenvolvimento ósseo destes doentes, no imediato e na prevenção de complicações futuras, não devendo, por isso, ser contraindicado.

Palavras Chave: Escoliose idiopática do adolescente, ortótese, actividade física