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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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EOSINÓFILOS NA EXPETORAÇÃO E ÓXIDO NÍTRICO NO AR EXALADO NUMA AMOSTRA DE CRIANÇAS COM ASMA

Pedro Carreiro-Martins1,2, Iolanda Caires1, Ruben Roque3,4, Carla Pinheiro3, Isabel Carvalho5, Paula Leiria Pinto1,2, Teresa Gamboa1, Ana Félix3,6, Nuno Neuparth1,2

1 - CEDOC, Integrated Pathphysiological Mechanisms Research Group, Nova Medical School, Lisboa
2 - Serviço de Imunoalergologia, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE, Lisboa
3 - Instituto Português de Oncologia de Lisboa Francisco Gentil, Lisboa
4 - Lisbon School of Health Technology, Lisbon
5 - Fisioterapeuta
6 - NOVA Medical School

1 - Fleming L, Murray C, Bansal AT, Hashimoto S, Bisgaard H et al. The burden of severe asthma in childhood and adolescence: results from the paediatric U-BIOPRED cohorts. Eur Respir J 2015;46(5):1322-33.
2 - Efthimiadis A, Spanevello A, Hamid Q, Kelly MM, Linden M et al. Methods of sputum processing for cell counts, immunocytochemistry and in situ hybridisation. Eur Respir J 2002;20:19-23s.

Introdução: A medição do óxido nítrico no ar exalado (FENO) e a contagem de eosinófilos na expetoração induzida são as técnicas melhor validadas para estudar a inflamação eosinofílica da asma. O FENO é um método simples e não invasivo, mas pode encontrar-se elevado mesmo na ausência de inflamação eosinofílica; A contagem de eosinófilos na expetoração é uma técnica mais complexa, particularmente na criança, contudo é considerada o padrão-ouro para a avaliação da inflamação eosinofílica das vias aéreas e para o estudo do fenótipo da asma1. Por outro lado, tem sido considerada de maior utilidade do que o FENO para a decisão de ajustes terapêuticos.
Objetivo: Pretendeu-se avaliar a exequibilidade da técnica de expetoração induzida num grupo de crianças asmáticas e estudar a associação entre o FENO e a contagem de eosinófilos obtidos.
Métodos: Foram convidadas a participar 13 crianças asmáticas. A indução da expetoração e a avaliação da celularidade foram realizados de acordo com as recomendações da European Respiratory Society2. Por razões de segurança, mediu-se o FEV1 e a SpO2 após cada período de inalação. Para a medição do FENO utilizou-se um dispositivo de monitorização portátil (NIOX-VERO). Para estudar a associação entre o FENO e a contagem de eosinófilos na expetoração, recorreu-se ao coeficiente de correlação de Spearman (rho).
Resultados: Onze dos treze participantes (85%) foram bem-sucedidos na indução da expetoração - seis rapazes e cinco raparigas, com idade média de 10,6 (DP: 3,7) anos. Não ocorreu nenhum evento adverso durante a indução. Nas 11 amostras de expetoração obtidas, oito apresentaram eosinófilos. A mediana de valores para o FEV1 basal foi de 101% (p25 - p75: 94% - 117%). Para o FENO e para os eosinófilos, as medianas foram de 39 ppb (p25 - p75: 10 ppb -102 ppb) e de 0,9% (p25 - p75: 0% -2,2%), respetivamente. O FENO e a contagem de eosinófilos na expetoração correlacionaram-se positivamente (rho = 0,64, p = 0,036). 
Conclusões: A avaliação de eosinófilos na expetoração induzida foi um procedimento seguro e bem-sucedido na amostra de crianças estudada. Foi possível obter células viáveis nas amostras recolhidas. Os eosinófilos correlacionaram-se com o FENO, reforçando os resultados obtidos na contagem celular. Apesar da informação fornecida por cada um destes biomarcadores se poder sobrepor, são exames que avaliam diferentes aspetos da inflamação das vias aéreas.

Palavras-chave: Asma, crianças, eosinófilos, expetoração, FENO