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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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EFICÁCIA A LONGO PRAZO DA TERAPÊUTICA COM LEVAMISOL NO SINDROME NEFRÓTICO

Telma Francisco1, Gisela Neto1, Raquel Santos1, Ana Paula Serrão1, Margarida Abranches1

1. Unidade de Nefrologia Pediátrica, Área de Pediatria Médica, Hospital Dona Estefânia, CHLC, EPE

- XLI Congreso Nacional y VI Hispano-Portugués de Nefrología Pediátrica 21/5/2016, Salamanca (Poster com apresentação)

Introdução: O levamisol é um imunomodulador usado no tratamento do síndrome nefrótico, corticodependente (CD) ou recidivas múltiplas (RM), como agente poupador de corticóide.
Objectivos: Avaliar a eficácia da terapêutica com levamisol a longo prazo, aos 12 e 24 meses após a sua suspensão comparativamente aos 12 meses prévios ao seu início. Métodos: Estudo retrospectivo dos doentes com SNCD/RM tratados com levamisol entre 1999 e 2014, na dose de 2.5 mg/Kg, 3 dias/semana, num período mínimo de 12 meses e um follow-up aos 12 e 24 meses após a sua suspensão. Foram avaliados o número de recidivas, a dose cumulativa de corticoide (mg/m2) e modificação do comportamento relativamente à terapêutica com corticóide/remissão. Análise estatística realizada com SPSS17® (teste T de student, p<0.05).
Resultados: De um total de 24 doentes medicados com levamisol, foram incluídos 10, 70% sexo masculino, mediana da idade 3.7 anos à data do diagnóstico e 8.2 anos à data de início do levamisol. Nove eram CD e um tinha RM. Nove fizeram imunossupressores prévios, 7 ciclofosfamida e 2 ciclofosfamida + ciclosporina. O tempo médio de terapêutica com levamisol foi de 19.7 meses e o de follow-up 60.8 meses. O número de recidivas e a dose cumulativa de corticóide nos 12 meses prévios ao levamisol foi menor e estatisticamente significativo quando comparado com igual período apos suspensão da terapêutica, 2.9 vs 1.1 (p=0.012) e 4953.9 vs 1393.2mg/m2 (p=0.001), respectivamente. Em 7 dos 10 doentes foi possível fazer seguimento até 24 meses sem levamisol. No segundo ano verificou-se também uma redução no número de recidivas e na dose cumulativa de corticóide, estatisticamente significativa, 2.86 vs 0.57 (p=0.019) e 5404.6 vs 535.4 mg/m2 (p=0.002), respectivamente. Dos 9 CD, 4 estavam em remissão aos 12 meses e 6 aos 24 meses. Em 4 houve modificação do seu comportamento para recaídas simples aos 12 meses.
Conclusões: No grupo estudado, verificámos eficácia do levamisol a longo prazo, aos 12 e 24 meses após a sua suspensão, com redução do número de recidivas e da dose cumulativa de corticóide. Em 60% dos doentes verificou-se remissão aos 24 meses.

Palavras Chave: síndrome nefrótico, levamisol