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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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EFEITOS CARDIOMETABÓLICOS DA REDUÇÃO DO CONSUMO DE BEBIDAS AÇUCARADAS EM CRIANÇAS OBESAS

Júlia Galhardo, Catarina Diamantino, Anabela Alonso, Lurdes Lopes

Unidade de Endocrinologia Pediátrica; Área de Pediatria Médica; Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE; Lisboa, Portugal

- 12º Congresso Português de Diabetes, 17-23/03/ 2016, Vilamoura (Comunicação Oral)
- Rev Port Diabetes 2016, 11 (1) Suppl: 33-26 (Resumo)
- Menção Honrosa para Comunicações Orais

Introdução: O consumo excessivo de sacarose, muito à custa de bebidas açucaradas, tem vindo a ser considerado um importante indutor de doenças cardiometabólicas. Apesar da associação entre a síndrome metabólica e a ingestão de frutose encontrada no modelo animal, a literatura é ainda escassa em estudos prospetivos realizados em humanos, especialmente em idade pediátrica.
Objetivos: Este estudo teve por objetivo avaliar o efeito da redução do consumo de bebidas açucaradas na tensão arterial (TA), na resistência à insulina, no perfil lipídico e no ácido úrico, em crianças obesas.
Material e métodos: Análise prospetiva dos primeiros 200 doentes pré-púberes admitidos na consulta de obesidade, durante 2015 [idade mediana 6.5 (3-9) anos, z-score médio do IMC 2.9±0.3]. Para avaliação da ingesta, foi pedido um diário alimentar semanal (2 dias úteis e 1 de fim-de-semana). As bebidas açucaradas foram quantificadas em doses e calculada a quantidade de sacarose consumida diariamente. Nas primeiras 4 semanas, os doentes fizeram a sua dieta habitual; nas 24 seguintes, foi-lhes pedido que restringissem as bebidas a uma dose semanal, mantendo os restantes hábitos. Foram analisadas as diferenças entre a 4ª e a 28ª semana quanto a antropometria, TA e marcadores séricos de síndrome metabólica. A associação entre estes parâmetros e a quantidade de açúcar foi avaliada através de regressão linear multivariada.
Resultados: Inicialmente, a ingestão diária média de sacarose era 219±62g, dos quais 144±14g (cerca de 66%) com origem em bebidas açucaradas; a média dos z-scores da TA sistólica/ diastólica era respetivamente 1.8±0.6 / 1.7±0.4; a mediana de HOMA-IR era 3.57 (1.34-6.43); a média do ácido úrico era 4.1±1.9mg/dL; a mediana dos triglicerídeos era 132 (72-201) mg/dL. Após ajuste para potenciais confundidores, a redução das bebidas mostrou-se associada à diminuição de: 0.5 (IC 95%, 0.3-0.7) / 0.4 (IC 95% CI, 0.2-0.6) nos z-scores da TA sistólica/ diastólica; 1.7mg/dL (CI 95%, 1.0-2.2) no ácido úrico; 44mg/dL (CI 95% CI, 21-55) nos triglicerídeos. As diferenças mantiveram-se após controlo para Δ z-score do IMC e Δ sacarose total. Apesar de não existir associação para o HOMA-IR, verificou-se um decréscimo do pico de insulina aos 30’ da PTGO: 42 uUI/mL (IC 95%, 11-68).
Conclusão: Este estudo vem sustentar a associação positiva entre bebidas açucaradas e marcadores de síndroma metabólica. Assim, o controlo da sua ingestão, especialmente em idades tão precoces, é uma medida urgente de saúde pública.

Palavras-chave: Bebidas açucaradas, criança, efeitos cardiometabólicos