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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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CIRURGIA MINIMAMENTE INVASIVA NO TRATAMENTO DA ACALÁSIA – CASO CLÍNICO

Ema Santos, Rafaela Murinello, Cristina Borges, João Pascoal

Serviço de Cirurgia Pediátrica, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE, Lisboa;

- Congresso Anual da Sociedade Portuguesa de Cirurgia Pediátrica, Lisboa, 2016 (poster com apresentação oral)

Introdução: A acalásia é um distúrbio motor primário do esófago caracterizado por ausência ou alteração de peristaltismo esofágico e diminuição do relaxamento do esfíncter esofágico inferior (EEI) durante a deglutição. É uma patologia rara na população em geral, com uma incidência de 1/100000 pessoas, das quais menos de 5% são crianças. Existem várias opções terapêuticas (farmacológicas, toxina botulínica, dilatação esofágica), contudo apresentam elevadas taxas de recidiva. O tratamento de eleição é a esofagomiotomia de Heller com ou sem fundoplicatura.
Caso clínico: Adolescente de 14 anos, sexo masculino, com disfagia para sólidos e líquidos que aliviava após a refeição com 6 meses de evolução. Por dor retroesternal intensa em jejum e recusa alimentar, recorreu ao serviço de urgência. Dos estudos realizados destaca-se, na endoscopia digestiva alta, esófago dilatado com abundante conteúdo líquido e dificuldade na passagem do endoscópico pela transição esofagogástrica. No trânsito esofagogástrico identificou-se abertura mínima do EEI com aspeto em “bico de pássaro” e dilatação proximal. O diagnóstico de acalásia foi confirmado por manometria. Iniciou terapêutica com nifedipina, sem melhoria sintomática. Foi submetido a esofagomiotomia de Heller com fundoplicatura de Dor por via laparoscópica sem intercorrências. Trânsito esofagogástrico no 1º dia pós-operatório (D1) revelou melhoria do estreitamento da porção inferior do esófago, tendo alta em D2 com tolerância da via oral. Sem qualquer sintomatologia aos 5 meses de follow-up.
Conclusão: A esofagomiotomia de Heller com procedimento anti-refluxo é o tratamento de eleição para diminuir a pressão do EEI e melhorar a sintomatologia. A extensão da miotomia esofágica até 2-3 cm distal à junção esofagogástrica reduz o risco de persistência da disfagia. A realização de fundoplicatura parcial diminui a incidência do refluxo gastroesofágico pós-operatório. A realização da técnica por laparoscopia permite visualização direta do esófago distal e da transição esofágogástrica, além das restantes vantagens inerentes à cirurgia minimamente invasiva.

Palavras-chave: Acalásia; esofagomiotomia de Heller; cirurgia minimamente invasiva