imagem top

2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

CHULC LOGOlogo HDElogo anuario

CHOQUE ANAFILÁTICO OU NÃO? EIS A QUESTÃO

Filipa Semedo1,2. Raquel Ferreira2, Marta Oliveira2. João Estrada2. Filipe Inácio1, Ana Margarida Romeiro3, Ana Mafalda Rebelo4, Catarina Custódio Santo5, Margarida Santos2

1 - Serviço de Imunoalergologia, Hospital de São Bernardo. Centro Hospitalar de Setúbal. E.P.E., Lisboa
2 - Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos, Área da Mulher, Criança e Adolescente, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, E.P.E., Lisboa
3 - Serviço de Imunoalergologia, Área da Mulher, Criança e Adolescente, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central. E.P.E., Lisboa
4 - Unidade de Adolescentes, Área da Mulher, Criança e Adolescente, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central. E.P.E., Lisboa
5 - Serviço de Pedopsiquiatria, Área da Mulher, Criança e Adolescente, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central. E.P.E., Lisboa

2° Congresso da Área de Pediatria Médica do Hospital de Dona Estefânia (poster com apresentação)

Resumo:
Introdução: o choque anafilático é uma condição potencialmente letal cuja etiologia deve ser definida e o fator predisponente evitado. Apresenta-se o caso em que existe um alergénio envolvido. de forma reprodutível, no aparecimento de sinais e sintomas que parecem alergológicos mas que, não sendo possível comprová-lo perante o estudo adequado, se coloca a hipótese de perturbação conversiva.
Relato de caso: Sexo feminino. 14 anos, com antecedente de síncopes não esclarecidas alguns anos antes. desenvolve dispneia e tosse após ingestão de amêndoa, sendo referenciada a consulta de Imunoalergologia. Durante os testes cutâneos desenvolveu eritema confluente do tronco, petéquias e tosse após abertura dos extratos de frutos secos e antes da picada, tendo-se presumido alergia a frutos secos por inalação de partículas. Os testes foram, no entanto, negativos. Duas semanas depois inicia tosse e dispneia com aparecimento de equimose no mento, após exposição inalatória a amêndoas. Fez terapêutica SOS com melhoria. Recorreu horas depois ao SU por recrudescimento da sintomatologia e aparecimento de petéquias no tronco. Admitida anafilaxia, foi medicada com adrenalina intramuscular, anti-histamínico e corticoide endovenosos. Duas horas depois iniciou crises tipo ausência. clonias e crises tonicoclónicas generalizadas, com intervalos progressivamente mais curtos. Admitido mal convulsivo, fez bólus de soro hipertónico, terapêutica anticonvulsivante e antibioterapia. Por depressão do estado de consciência (GCS 6) foi entubada, ventilada e transferida para a Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos. Após extubação em D1 de internamento desenvolveu episódios de apneia associados a crises tipo ausência. Exame neurológico normal, vídeo-EEG sem atividade paroxística e RMN CE sem alterações. Por precordialgia realizou eletrocardiograma e ecocardiograma, sem alterações (Cardiologia excluiu patologia cardíaca). Pedopsiquiatria admitiu patologia conversiva e medicou com sertralina. O estudo alergológico. neurológico, infecioso. endocrinológico e reumatológico efetuado foi negativo. Teve alta para a enfermaria em D3 e posteriormente para o domicilio. Aguarda Teste de Ativação dos Basófilos e Prova de Provocação Oral com amêndoa em dupla ocultação.
Conclusões: A singularidade e gravidade do caso, implicando investigação exaustiva ainda em decurso, ilustram que a fisiopatologia subjacente pode ainda não ser clara e a decisão de definir como somatização não deve ser tomada a não ser quando diagnóstico de exclusão.

Palavras Chave: choque anafilático, somatização, cuidados intensivos.