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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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ANAFILAXIA ALIMENTAR: UM CASO DE SENSIBILIZAÇÃO OCUPACIONAL

Ana Palhinha1, David Pina Trincão1, Miguel Paiva1, Paula Leiria Pinto1

1. Serviço de Imunoalergologia, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE, Lisboa;

- 37ª Reunião Anual da SPAIC 7-9/10/2016, Lisboa (Poster com discussão)

Introdução: O trigo-mourisco (Fagopyrum esculentum) é uma planta da família Polygonaceae que é utilizada na produção de farinha consumida, tradicionalmente, em países asiáticos. A alergia ao trigo mourisco é uma forma rara de alergia alimentar na Europa, mas a “globalização” dos hábitos alimentares tem vindo a gerar um número crescente de casos, que incluem formas de sensibilização em contexto ocupacional.
Caso clínico: Doente do sexo masculino, 56 anos, padeiro, antecedentes pessoais de rinite alérgica intermitente ligeira, referenciado a consulta de Imunoalergologia na sequência de episódio de urgência caracterizado por urticária generalizada e broncospasmo.Cerca de 4 meses antes desta situação iniciou episódios de broncospasmo e prurido nasofaríngeo desencadeados pela inalação de farinha de trigo-mourisco em contexto laboral. Posteriormente, descreve episódio de prurido orofaríngeo imediatamente após contato oral com pão de trigo-mourisco que não chegou a deglutir e outro episódio caracterizado por aparecimento de prurido orofaríngeo e dispneia imediatamente após ingestão de chocolate com avelãs. No dia do episódio de urgência a sintomatologia iniciou-se imediatamente após refeição que incluiu alimentos que o doente ingere regularmente, possivelmente contaminados por manipulação prévia de farinha de trigo-mourisco. Procedeu-se à realização de testes cutâneos por picada (bateria de aeroalergénios, frutos secos, cereais, LTP e profilina) que foram positivos para extratos comerciais de amendoim, avelã, noz e artemísia. O teste prick-prick com farinha de trigo-mourisco, foi fortemente positiva (pápula de 20mm). O estudo ISAC revelou sensibilização a alergénio primário do trigo-mourisco (nFag e2, 2S albumina), a artemísia (nArt v1, defensina) e a LTP da parietária e do pêssego (rParj2 e rPru p3, respetivamente).
Discussão: De acordo com os resultados obtidos, podemos concluir estar perante um caso raro de anafilaxia ao trigo-mourisco em que a sensibilização ocorreu em contexto ocupacional, por via inalatória. A ausência de sintomatologia prévia com avelã e de sensibilização a alergénios primários de frutos secos sugere envolvimento de alergénio de reactividade cruzada entre o trigo-mourisco e os frutos secos, justificando a realização de estudo imunológico futuro (ex: immunobloting) para sua melhor caracterização.

Palavras-chave: anafilaxia, trigo-mourisco, alergia ocupacional