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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR PARA O DESENVOLVIMENTO INFANTIL

Cátia Almeida

 Médica Interna, Especialidade de Pedopsiquiatria, Área da Mulher, Criança e Adolescente, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE, Lisboa 

- Comunicação oral em Reunião Clínica do Serviço de Pediatria do Desenvolvimento do Hospital Beatriz Ângelo, a 12/05/16.
- Comunicação oral em Reunião de Formação para Educadoras, organizada pela Unidade da Primeira Infância do Hospital D. Estefânia, a 17/10/16.

Introdução
A investigação, quer animal quer em humanos, afirma que o brincar é algo inato e evolutivamente vantajoso. Um saudável desenvolvimento está diretamente relacionado com a capacidade de interagir, descobrir, aprender, recriar e imaginar, tarefas desenvolvidas pelas atividades de brincadeira livre. 

Desenvolvimento do tema
A capacidade de brincar é tão precoce quanto as primeiras interações com o meio que o bebé faz, por volta dos 3 meses de vida. Desde o brincar com o próprio corpo, através do movimento, às brincadeiras com mediação de objetos, até ao brincar imaginativo, são várias as modalidades que a atividade lúdica adquire ao longo do desenvolvimento.  O brincar permite o atingimento de marcos fundamentais do desenvolvimento psicoafetivo, nomeadamente a permanência do objeto, a noção do self, a capacidade de representação/simbolização, a tolerância à frustração, a criatividade, a resolução de problemas, a transição do princípio do prazer para o princípio da realidade, a gestão emocional e a auto-regulação. Experiências com roedores revelaram que os animais privados de brincar apresentavam atrofia cerebral, manifestando comportamentos de evitamento e medo perante um estímulo ameaçador, sem capacidade para o enfrentar.

Conclusões
Do movimento à palavra, da ação à abstração, desde os primeiros jogos do “Cu-cu”, à roca, das bolas às bonecas, do desenho aos jogos de movimento, chegando às brincadeiras relacionais da adolescência, o ser humano faz um longo caminho de experiencias e explorações, de conhecimento de si, do mundo e dos outros. É assim que pelo brincar se criam vínculos, que nos distinguem como seres humanos e nos trazem a felicidade. Em todas as culturas estes processos acontecem normalmente, quando não são impedidos, porque são fenómenos universais e constituem a base de um saudável desenvolvimento psicoafetivo.

Palavras-chave: Brincar, Infância, Saúde Mental, Desenvolvimento