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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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ELEVAÇÃO DE CREATINAFOSFO-QUINASE EM ADOLESCENTE: EFEITO ADVERSO DA QUETIAPINA OU DA PRÁTICA DE «PARKOUR»?

Tiago Milheiro Silva1, Vera Santos1, Maria Antónia Silva2, Maria Carmo Pinto1.

1 – Unidade de Adolescentes, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central, E.P.E.;
2 – Unidade de Pedopsiquiatria, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central, E.P.E.

 - Sala de Conferências do HDE, 17 de Abril de 2012 (Apresentação).

Desde o final do século XX o número de prescrições de antipsicóticos em crianças e adolescentes tem aumentado de forma muito acentuada. O aumento da evidência científica sobre a redução da agressividade e irritabilidade em crianças e adolescentes com patologia psiquiátrica e a evidência do benefício destes fármacos no controlo de patologias como a perturbação afectiva bipolar têm seguramente contribuído para este aumento. Apesar de as prescrições terem e continuarem a aumentar nos adolescentes, é notório o aumento da utilização destes fármacos no controlo de patologia em idades mais precoces.
Dentro dos fármacos antipsicóticos, o relativamente recente grupo dos antipsicóticos atípicos (Risperidona; Olanzapina; Quetiapina...) é responsável pela maior parte das prescrições
Este grupo de medicamentos, apesar de relativamente seguro, não é destituído de efeitos adversos. Certos destes efeitos, como a secura das mucosas e ligeira sonolência são relativamente benignos, mas as alterações do metabolismo dos hidratos de carbono ou dos lípidos podem ser responsáveis por um aumento do risco cardiovascular no futuro, especialmente se considerarmos a recente epidemia de obesidade e o aumento das disfuncionalidades familiares. Dentro dos efeitos adversos relacionados com antipsicóticos, típicos ou atípicos, destaca-se a síndrome maligna dos neurolépticos, pela gravidade e taxa de mortalidade associada. Por estas características é uma patologia que não pode ser ignorada, especialmente em Adolescentes. Tratando-se de um diagnóstico essencialmente de exclusão, um elevado grau de suspeição clínica é essencial para o seu diagnóstico.
Apresenta-se o caso clínico de uma Adolescente de 15 anos, medicada em ambulatório com Quetiapina, internada por quadro álgico e elevação dos valores de CPK, na sequência, descrevendo-se as dificuldades de diagnóstico diferencial nesta situação.
Faz-se também a revisão teórica do efeito adverso mais grave relacionado com o tratamento com antipsicóticos: a síndrome maligna dos neurolépticos.

Palavras-chave: quetiapina, adolescente, "parkour", elevação da creatinofosfoquinase.